sexta-feira, 14 de março de 2014

A CONSTRUÇÃO DE UMA LOVEMARK: uma relação de respeito entre o cliente e a marca


Francisco da Conceição Nascimento[1]
Prof. Dr. Edney Loiola[2]


RESUMO

Neste artigo tem-se como objetivo caracterizar os elementos que contribuem para a construção de uma lovemark respeitada, que possua credibilidade, confiança e respeito dos consumidores, a partir de uma revisão de literatura. Uma lovemark pode ser construída através das ações do marketing tradicional, e de modo especial através do marketing de relacionamento. Algumas marcas se tornaram tão importantes que o consumidor não procura no mercado o produto, mas a marca. Para se conquistar e manter essa preferência e esse respeito por parte do cliente, se faz necessária uma gestão adequada da marca, efetivada a partir de um planejamento adequado. Sem isso, de modo especial em um mercado em que há grande disponibilidade de produtos, por vezes similares e que podem alcançar resultados idênticos àqueles produzidos pelas grandes marcas e muitas vezes a preços menores, uma marca específica dificilmente poderia se apresentar como um diferencial competitivo e mesmo como um patrimônio de grande valor para a empresa. Por se tratar de uma revisão de literatura, do ponto de vista metodológico, a pesquisa se classifica como qualitativa.

Palavras-chave: Marketing. Lovemark. Comunicação. Diferencial competitivo.

RESUMEM

Este artículo tiene El objetivo caracterizar los elementos que contribuyen a la construcción de una Lovemark de respetado, que tiene la credibilidad, la confianza y el respeto de los consumidores, a partir de una revisión de la literatura. Una Lovemark puede ser construida a través de las acciones de marketing tradicional, y especialmente a través del marketing relacional. Algunas marcas han llegado a ser tan importante que el consumidor no busca el producto en el mercado, pero la marca. Para lograr y mantener esta preferencia y el respecto por el cliente, es necesario una gestión eficaz de la marca, a partir de una planificación adecuada. Sin esto, sobre todo en un mercado en el que existe una gran disponibilidad de productos similares y puede lograr resultados iguales a los producidos por las gran marcas, y a precios más bajos, solamente una marca específica difícilmente podría presentarse como un diferencial competitivo, pero como un patrimonio de gran valor para la empresa. Debido a que es una revisión de la literatura, el punto de vista metodológico, la investigación se clasifica como cualitativa.

Palavras-chave: Marketing. Lovemark. Comunicación. Diferencial competitivo.

1 INTRODUÇÃO

A gestão de marcas é um conceito recente no mundo coorporativo. As grandes indústrias detentoras de grandes marcas, como a P&G – Protecle & Gamble, que foi pioneira no conceito de gestão de marcas, adotam estratégias de marketing focadas no gerenciamento de marcas e ações estratégicas de marketing com a finalidade de manter, recuperar e conquistar novos clientes.
                   Em 2004, os estudiosos do marketing, em nível mundial, foram surpreendidos por um conceito revolucionário na maneira de pensar uma marca. Kevin Roberts, CEO – Chief Executive Officer, da Saatchin & Saatchin, uma das mais conceituadas redes mundiais de agências publicitárias, defende que uma marca precisa ser respeitada por seus consumidores, e para isso, é necessário que seja capaz de incluir mistério, sensualidade e intimidade nas relações de consumo.
Defende também que o sentimento de amor e de prazer é o futuro das marcas. Essa maneira de pensar de Roberts (2004) resultou em um conceito revolucionário: Lovemark, o qual se apresenta como um divisor de águas entre o marketing tradicional e o marketing de relacionamento focado na marca.
A fidelidade do consumidor à marca é um bem intangível para a indústria. As relações de consumo, para além da razão, é um fenômeno social que valoriza outros aspectos do ser humano, dentre eles a sensibilidade e a emoção. Significa admitir que o consumidor não adquira um produto apenas porque racionalmente, precisa dele, mas porque é impulsionado por aspectos de ordem subjetiva.
Uma busca incansável para o entendimento das motivações, que provocam atitudes às vezes desconhecidas até mesmo pelo próprio indivíduo, é realizada por psicólogos, filósofos, sociólogos, antropólogos. Não é fácil explicar como alguém vai ao supermercado para comprar um produto específico, e volta para casa carregado de compras efetuadas por impulso.
As relações de consumo se modificam e as organizações são obrigadas a pensar novas formas de atração e retenção do cliente. Para isso, é necessário considerar que a sociedade é constituída por grupos de pessoas com necessidades distintas e desejos diversificados. Assim, compete às organizações, compreender essas necessidades e desejos e tentar satisfazê-los.
Neste estudo tem-se por objetivo principal caracterizar os elementos que contribuem para a construção de uma lovemark respeitada, que possua credibilidade, confiança e respeito dos consumidores, a partir de uma revisão de literatura. Isso pode se configurar como um diferencial competitivo importante.  Por se tratar de uma revisão de literatura, do ponto de vista metodológico, a pesquisa se classifica como qualitativa.

2 A CONSTRUÇÃO DE UMA LOVEMARK

A construção de uma lovemark não se constitui como tarefa simples, uma vez que a fidelidade do cliente à marca não depende apenas de aspectos racionais, mas de outros aspectos importantes constitutivos da personalidade humana. Neste caso, a fidelidade à marca não se deve sentido que ela comporta, mas à sensibilidade que ela evoca.  
Na compreensão de Kotler (1991 apud AZEVEDO; FARHANGMEHR, 2003, p. 39 – Grifo no original), a definição da marca inclui "o nome, termo, signo, símbolo, design ou combinação destes que pretende identificar bens e serviços de um produtor ou grupo de produtores e diferenciá-los dos bens e serviços da concorrência".
Uma marca que pode ser considerada como lovemark, possui as seguintes características: mistério, sensualidade e intimidade. Na compreensão de Roberts (2004, p. 66), uma marca que possua estas características e que seja capaz de evocar estes sentimentos, pode ser classificada como “[…] uma marca que possui a característica de evocar a fidelidade além da razão e são consideradas pelos consumidores sua propriedade, suas ‘marcas do coração”.
Muitas vezes as marcas iniciam sua trajetória no mercado de forma tímida e a partir de poucas ações de marketing, uma vez que os investimentos geralmente estão voltados para a produção. No entanto, algumas marcas. Mesmo tendo iniciado assim, pode cair no gosto dos consumidores e se transformar em uma marca forte, capaz de se vender junto com o produto.
Este é o caso, por exemplo, dos artigos que levam a marca Havaianas, cuja empresa, segundo Melo (apud SOUZA; PIEDRAS, 2009, [on-line]), fundada em 1960, fabricava produtos caracterizados pelo valor funcional e não por características estéticas. Seus produtos, disponibilizados a preços baixos, eram destinados a um público específico.
Vendidos de forma massiva, os produtos saturaram o mercado, o que resultou em estagnação em seu crescimento e queda na margem de lucros. Em razão disso, na década de 1990 a empresa reformulou seu mix de marketing, modificou e diversificou seus produtos, investiu na mudança dos pontos de venda, o que resultou no incremento das vendas e no alcance de seus objetivos.
Como se percebe, uma empresa que iniciou suas atividades disponibilizando apenas produtos funcionais tornou-se uma marca forte, conhecida e respeitada em quase todo o mundo e desejada pelos consumidores. O sucesso da marca permitiu uma mudança no mix de produtos, preço e no posicionamento no mercado. Neste casso, mais que o produto, a marca apresentou-se com o grande diferencial competitivo.
As mudanças de posicionamento de mercado são manobras arriscadas e complexas, que exigem competências extraordinárias dos gestores de marketing, planejamento de marketing e vendas eficiente e eficaz adotado a partir de uma pesquisa de mercado focada no publico alvo. Nesses casos, um erro em uma destas forças mercadológicas pode levar uma marca à falência.
Se no início os estudos de marketing voltaram-se para os 4 P’s: Preço, Praça, Produto e Promoção, na década de 1990, os P’s do marketing receberam novos aliados, os 4 C´s: Consumidor, Custo, Conveniência e Comunicação. Desde as últimas décadas do século XX, o mercado tem passado por grandes transformações e as marcas estão se adaptando à nova ordem do mercado globalizado.
Neste novo cenário os 4 P’s ganharam nova definição e transformaram-se nos 4 C’s: O preço passa a ser visto como o “custo” para o consumidor, o produto direciona-se à satisfação das necessidades do consumidor de maneira customizada; a praça passa a ser entendida como conveniência; e a promoção passa a ser percebida como um meio de comunicação entre consumidores e marcas de forma individual.
Diante disso, conforme Kotler (apud GONZALEZ, 2010, [on-line]), Enquanto os vendedores estão vendendo um produto, os consumidores estão adquirindo um valor ou uma solução para um problema. Os consumidores estão interessados ​​em mais do que apenas o preço, uma vez que, sobre o custo total da aquisição, percebem utilidade, funcionalidade e disponibilidade de um produto.
Enquanto consumidores que necessitam de um produto ou de um serviço, percebem que é tão convenientemente acessível a eles como eles são possíveis. Finalmente, os consumidores não precisam de promoção, mas precisam de uma comunicação bidirecional. Por estas razões, os comerciantes fariam bem em pensar primeiro nos quatro C’s e, e depois desenvolverem os quatro do P’s.

O mercado não admite como estratégia, um pensamento que se preocupe apenas com a quantidade vendida de um produto, focado apenas no preço. A venda de um produto requer um trabalho sério e valor agregado. O cliente obtém um produto por sua funcionalidade, utilidade, disponibilidade de uso, serviços prestados pelo fornecedor e atendimento de qualidade ao consumidor.
Não se pode esquecer que a concorrência no mercado globalizado é grande e as empresas alcançarão sucesso, conforme Kotler; Keller (2006) se forem capazes de modificarem seu foco da orientação de vendas para uma orientação de marketing.
Chamber (apud KOTLER; KELLER, 2006) diz: “Faça do cliente o centro de sua cultura”. As empresas que centram suas atividades e suas ações no relacionamento com o cliente são capazes de conquistar seu respeito, admiração e mesmo amor à marca. Não Se pode esquecer que o cliente está cada vez mais informado, portanto, cada vez consciente e exigente.
O desenvolvimento das tecnologias da comunicação e da informação, como é o caso da internet, contribuíram de forma significativa para manter empresas e clientes conectados. No entanto, com afirmam Kotler; Keller (2006), isso pode não bastar.
O cliente, mais do que uma conexão com empresa, mais do que a mera satisfação de necessidades, aspira que a empresa o trate de forma especial, personalizada e o atenda, se possível de forma personalizada. Ninguém gosta de receber, por exemplo, e-mails que outros milhares de pessoas receberam.
O cliente sabe que é importante para a empresa e dispõe de meios para verificar se o tratamento que a empresa lhe dispensa é adequado. Se a empresa valoriza a informação e o conhecimento, o cliente também. Para ilustrar, cita-se o exemplo de um médico que prescreve um medicamento para um cliente e este solicita a avaliação de outro medicamento.
Isso porque leu na internet que o medicamento receitado pelo médico no primeiro momento causa efeitos colaterais não compatíveis com sua idade e o médico avalia a bula do outro medicamento e concorda que o paciente substitua o medicamento indicado por ele. Lafley (apud ROBERTS, 2004, p. 9) afirma que

Las mejores marcas vencen, sistemáticamente, en lo que yo llamo los dos momentos de la verdad. El primer momento tiene lugar frente al lineal del supermercado, cuando el consumidor decide si compra una marca u otra. El segundo se producen en casa, cuando usa la marca y le encanta, o no. Las marcas que triunfan, una y otra vez, en esos dos momentos de la verdad, se ganan un lugar muy especial en el corazón y en la mente de los consumidores; las más fuertes establecen un vinculo de por vida con sus consumidores[3]

As marcas que triunfam no que o autor considera momentos da verdade são as marcas que garantem um espaço na mente e no coração dos consumidores. Roberts (2004) conclui que o primeiro momento acontece no primeiro contato com o cliente, quando ele decide comprar ou não o produto; e o segundo, após a decisão da compra, em casa, quando o cliente faz uso do produto ou serviço. Estes são os momentos que garantem ou não a fidelidade do cliente à marca. Sobre o contexto atual Roberts (2004, p. 59) afirma que

Las lovemarks de este nuevo siglo serán las marcas y empresas que logren unos lazos genuinamente afectivos con las comunidades y redes sociales en las que se desenvuelven. Esto significa acercarse a la gente hasta lograr tener una relación personal. Y nadie nos va a permitir acercarnos hasta ese punto si primero no respeta que hacemos y lo que somos[4].

Isto conduz à percepção de que se a empresa deseja de fato conquistar, manter e/ou recuperar clientes, o primeiro passo é respeitá-los pelo que são e pelo que fazem. Não é o cliente que deve se adaptar ao produto ou à marca, mas o produto ou a marca deve se adaptar às necessidades, aos desejos e expectativas do cliente.
Se a empresa alcança isso, pode ter desvendado o segredo para a fidelização e mesmo para o desenvolvimento de um sentimento de amor pelo produto e pela marca. Então, compreende-se que tanto o produto, quanto a marca, deve agregar qualidades que se apresentem como um valor para o cliente. Ninguém será fiel a uma marca apenas pelo preço dos seus produtos, mas pelo valor que as relações estabelecidas entre a empresa e o cliente comportam e que ele, cliente, perceba.

2.1 Valor percebido pelo cliente

O cliente entende como valor percebido o conjunto de benefícios agregados aos produtos: custo financeiro, alternativas encontradas, benefícios econômicos, funcionais e psicológicos. Atendendo a esses anseios, desejos e valor monetário, o produto provocará uma segunda demanda, o que pode concorrer para a fidelização à marca. Conforme Kotler e Keller (2006, p. 140 – Grifos no original),

O valor percebido pelo cliente (VPC) é a diferença entre a avaliação que o cliente potencial faz de todos os benefícios e custos relativos a um produto ou serviço e as alternativas percebidas. Já o valor total para o cliente é o valor monetário de um conjunto de benefícios econômicos, funcionais e psicológicos que os clientes esperam de determinado produto ou serviço, por fim, o custo total para o cliente é o conjunto de custos em que os consumidores esperam incorrer para avaliar, obter, utilizar e descartar um produto ou serviço, incluindo os custos monetários, de tempo, de energia física e psíquicos.

Para Kotler e Keller (2006), os consumidores possuem níveis diferentes de fidelidade a marcas, lojas e empresas especificas. Os autores afirmam que o segredo para um alto nível de fidelização é entregar um alto valor agregado ao cliente: o valor percebido pelo cliente é um fundamento útil que se aplica a muitas situações e proporciona importantes ensinamentos.
O valor do cliente consiste em uma nova realidade para a gestão de marketing, que compreende diversos conceitos: marketing direto, qualidade de atendimento e marketing de relacionamento. No entanto, seu foco está voltado ao entendimento de valor do cliente para a empresa e no gerenciamento do cliente como ativo estratégico, aumentando o valor da empresa para os acionistas.
O valor da empresa, na verdade, não é exatamente conferido por ela própria, mas pelo cliente. Por isso, ela deve ter sempre em conta a opinião do cliente sobre seu produto, e, acima de tudo, sobre sua imagem. O cliente não poderá amar uma marca que, em sua opinião, não encerre valor, como se observa no Quadro 1.

Quadro 1 - Elementos que conduzem ao valor do cliente





Dimensão de valor
A avaliação objetiva feita pelo cliente da utilidade de uma oferta com base em sua percepção de custo-benefício. Os componentes da dimensão do valor são qualidade, preço e conveniência. Cada setor deve definir os fatores específicos subjacentes a cada componente a fim de encontrar programas para melhorar a dimensão do valor. O passageiro de uma companhia aérea pode definir qualidade como largura do assento; o hospede de um hotel pode definir qualidade como tamanho do quarto. A dimensão do valor proporciona maior contribuição ao valor do cliente quando os produtos são diferenciados e quando são mais complexos e precisam ser avaliados. Isso se dá principalmente nos mercados empresariais.




Brand equity
A avaliação subjetiva e intangível que o cliente faz da marca, acima e alem do valor percebido objetivamente. Os componentes do brand equity são conscientização de marca, postura do cliente com relação a marca e percepção do cliente quanto à ética da marca. As empresas usam propaganda, relações publicas e outras ferramentas de comunicação para melhorar esses componentes. O brand equity é mais importante do que os outros componentes do valor do cliente nas situações em que os produtos são menos diferenciados e possuem um impacto emocional maior.



Relationship equity
A tendência que o cliente tende a se prender à marca, acima e além das avaliações objetiva e subjetiva sobre seu valor. Os componentes do relationship equity incluem programas de fidelidade, programas de reconhecimento e tratamento especiais, programas de construção de comunidade e programas de construção de conhecimentos pessoais são fundamentais e em que os clientes tendem a continuar com os mesmos fornecedores por habito ou inércia.
Fonte: Kotler e Keller (2006)

O valor percebido pelo cliente faz parte do somatório de elementos que integram a gestão de marcas e de relacionamento. Consiste em uma abordagem sistêmica e promissora para a gestão de marketing. As empresas podem avaliar qual o melhor elemento para reforçar sua percepção de valor e qual lhe trará melhores resultados a longo prazo, escolhendo, estrategicamente, quais as melhores ações. É, ainda, possível mensurar e comparar o retorno financeiro sobre os investimentos em marketing.
A marca “Sucos do Bem”, fundada em 2006, no Rio de Janeiro, ganhou notoriedade e market share no segmento de sucos. No início das operações, os clientes foram submetidos a testes cegos, comparando as bebidas “do Bem” com outras marcas. De cada dez consumidores que provaram tais bebidas, seis preferiram os ”Sucos do Bem”.
Isso resultou numa nova fase no processo de comunicação com o cliente: uma campanha publicitária com identidade visual valorizando a marca. Neste caso, a empresa adotou uma estratégia de diferenciação do produto através de um design adequado e de um esforço para que a marca fosse capaz de transmitir os ideais da empresa (GENGUINI; et al, 2011, [on-line]).
Percebe-se que as marcas que entregam um produto com diferencial competitivo em todo o composto de marketing garantem espaço na percepção de valor do cliente, gerando uma demanda posterior capaz de tornar o cliente fiel, garantindo a satisfação total do cliente e o alcance dos objetivos organizacionais.
Se isso ocorrer, a marca terá grandes chances de fidelizar mais um cliente, capaz inclusive de indicar a marca a amigos e familiares, os quais, por sua vez, após a primeira experiência com o produto e marca, podem também se tornar clientes fiéis, o que concorrerá para a construção de uma rede de relacionamentos sólida e positiva para todos os envolvidos na relação. É nesse cenário que, de acordo com Pahins (2011, [on-line]), que se insere

[…] a questão das “lovemarks”, marcas cujos consumidores detêm uma fidelidade que vai alem da razão, e dos “consumidores inspiradores’”, aqueles que de alguma forma influenciam as decisões mercadológicas das empresas, envolvendo-se, muitas vezes, afetiva e emocionalmente.

As lovemarks caracterizam-se pelo grau de fidelidade de seus consumidores, os quais passam a conquistar novos consumidores do produto da marca que reconhecem com portadora de valores essenciais ás relações mercadológicas. Nesse processo, o recurso de marketing mais antigo se faz presente: o boca-a-boca: fenômeno que adquiriu maior amplitude com a utilização de meios de comunicação como, por exemplo, as redes sociais.

2.2 A comunicação com os clientes

No mercado de relações globalizadas, se tornou cada vez mais necessária a comunicação com o cliente. Algumas empresas têm se adaptado à nova realidade mercadológica - o marketing digital, as redes de relacionamento, as redes sociais - e as páginas virtuais das empresas passam por transformações constantes com a finalidade de buscar maior aproximação com seus clientes.
No entanto, conforme Barroso (apud PAHINS, 2011, [on-line]), os meios de comunicação não podem e não devem ser utilizados pelas empresas para a manipulação do cliente. Ele não se configura mais como um receptor passivo de mensagens. Se a comunicação não for clara e não expressar veracidade e respeito pelo cliente, o efeito pode ser o inverso do esperado.
As transformações socioculturais e a profusão de informações  contribuíram para alterar, de forma drástica, o comportamento do consumidor. Isso resultou em um esforço dos profissionais de marketing, os quais jamais trabalharam tanto para acompanhar as relações complexas de compra e venda promovidas pela interação sociocultural da sociedade.
As semelhanças entre produtos substitutos, em alguns casos, são imperceptíveis, e em face disso, a criatividade do marketing deve fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso de produtos, marcas e empresas. Na compreensão de Pinheiro e Gullo (2005), para que os esforços de marketing alcancem seus objetivos, é necessário investir em criação e inovação. Isso pode ser determinante para a escolha de um produto e até para a fidelização à marca.
No mundo interligado pela rede de comunicação, não é possível realizar o lançamento de um produto sem conhecer as características do público-alvo, dentre elas seus costumes, hábitos, locais que frequenta, grupos sociais dos quais participam e os valores que cultivam.
Um exemplo disso é a Coca-Cola Brasil S/A, a qual, ao lançar a versão “zero” de suas bebidas, em 2007, buscou identificar o seu público-alvo: jovens com hábitos de vida saudável, e direcionou os esforços para atingir seus potenciais clientes. O processo, conforme Araújo e Kolb (2009, [on-line]), iniciou-se com pesquisas, cujos resultados apontaram para mudanças importantes, inclusive em seu site.
A campanha de mídia buscou explorar a ideia de um produto novo com o mesmo sabor do tradicional, porém, com um diferencial apropriado para o público jovem com hábitos de vida saudáveis. Na internet, foram criados sites que se tornaram ambientes de diversão, jogos on-line e vídeos.
Tudo isso tornou possível aos internautas interagirem com as animações contidas nos sites, alem de material para download para personalizar a interface dos computadores. Neste caso, a empresa definiu com precisão seus objetivos e investiu em profissionais e tecnologia capazes de garantir o melhor retorno dos investimentos em publicidade em curto, médio e longo prazos (SAMPAIO, 2003, p. 119).
Uma estratégia de marketing precisa ser direcionada para o público-alvo, indo ao encontro do cliente, fazendo-se presente onde o público estiver, o que pode ser na internet, na frente da TV, no carro ouvindo o rádio, lendo jornal ou revista, na avenida, passeado de bicicleta, fazendo caminhada, na academia, enfim, precisa estar presente onde o cliente estiver. Neste caso, a empresa estará investindo não apenas em publicidade, mas na possibilidade de construção de relacionamento com o cliente, através de pontos de contato importantes, os quais são definidos por Kotler e Keller (2006, p.151) da seguinte forma:

Por ponto de contato com o cliente, entende-se qualquer ocasião em que o cliente tem contato a marca ou o produto – isso inclui desde uma experiência em si até uma comunicação pessoal ou de massa, ou mesmo uma observação casual.

Segundo Kotler e Keller (2006) afirma que ao manter contato com um cliente, deve considerar como ponto de contato todas as etapas que precedem e que sucedem o contato propriamente dito. As primeiras etapas alimentam as expectativas do cliente. As segundas permitem que o cliente perceba que a empresa se preocupa com ele, o que pode resultar em fidelidade do cliente ao produto e mesmo à marca. Isso se insere no âmbito da gestão de relacionamento, a qual contém diversos passos, como se verifica no Quadro 2.

Quadro 2 - Elementos necessários à gestão do relacionamento com o cliente
Identificação de clientes potenciais. Não vá atrás de todo mundo. Construa, mantenha e garimpe um rico banco de dados de clientes, com informações advindas de todos os canais e pontos de contato com o cliente.
Diferencie os clientes em termos de (1) suas necessidades e (2) seu valor para a empresa. Dedique-se mais aos clientes mais valiosos. Aplique o método do custeio baseado em atividades e calcule o valor do cliente ao longo do tempo. Faça uma estimativa do valor presente liquido dos lucros futuros provenientes de compras, níveis de margens e recomendações, subtraídos os custos específicos de atendimento ao cliente.
Interaja com os clientes individualmente para melhorar seu conhecimento sobre as necessidades de cada um e construir relacionamentos mais sólidos. Desenvolva ofertas customizadas e as comunique de maneira personalizada.
Customize produtos, serviços e mensagens para cada cliente. Use os pontos de contato e o site da empresa para facilitar a interação com os clientes.
Fonte: Kotler e Keller (2006)

A gestão de relacionamento entre a empresa e o cliente passa por um processo de coleta de informações sobre clientes, parceiros de negócios e concorrentes. Essas informações possuem a vantagem de facilitar, diferenciar, personalizar e comunicar através das redes de comunicação o produto disponibilizado ao mercado por uma marca específica.
Ao mesmo tempo, as informações são necessárias ao planejamento e à gestão do relacionamento. Cabe ressaltar que o cliente só será fiel a uma marca se ela agrega valores importantes: respeito ao cliente, qualidade no atendimento e preocupação com a pós-venda. Isto se encontra para muito além do produto, o qual por ter preço, não significa que tenha um valor reconhecido pelo cliente.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os consumidores do século XXI são bem informados e não é possível defini-los apenas como sujeitos passivos no processo de construção de uma marca. Eles passaram de influenciáveis a influenciadores no processo de construção das grandes marcas. A atuação desses consumidores não é apenas uma questão de escolha, e sim uma necessidade para as empresas alcançarem sucesso nessa nova conjuntura, fazendo de suas marcas verdadeiras lovemarks.
Para que as empresas possam construir uma lovemark é necessário que estabeleça um canal de comunicação entre elas e seus clientes, utilizando-se, para isso, dos recursos do marketing de relacionamento e de todas as mídias possíveis, tendo sempre o cuidado de ser sinceras em relação à qualidade dos produtos/serviços disponibilizados e verdadeiros nos relacionamentos com o cliente.
Uma das possibilidades de comunicação, com repercussão imediata, são as redes de relacionamento, que se apresentam como importante ferramenta para estreitar as relações entre consumidores e empresas, proporcionando feedback imediato no lançamento de um produto, criando expectativas e proporcionando respeito através do relacionamento, onde o consumidor percebe que é visto e ouvido, garantindo ainda mais prazer nas relações de compra e venda.
Portanto, a construção de lovemarks é consequência de trabalho sério e respeito aos consumidores. Isso se consegue através de estratégias de marketing bem definidas, estudo de mercado, segmentação, comunicação assertiva e individual e customização de produtos.
Toda e qualquer organização que deseje fazer com que sua marca seja conhecida e até alcance o status de lovemark, deve, ao mesmo tempo, realizar um trabalho conjunto e individualizado para atender as reais necessidades e desejos dos consumidores. Possuir uma marca reconhecida e respeitada pode se constituir como o principal diferencial competitivo em relação aos concorrentes.

[1] Acadêmico do Curso MBA em Gestão Empresarial da Universidade Estadual do Maranhão - UEMA.
[2] Professor orientador
[3] As melhores marcas vencem, sistematicamente devido ao que denomino os dois momentos da verdade. A primeira etapa acontece em frente às prateleiras do supermercado quando o consumidor decidiu-se a comprar  uma ou outra marca. A segunda ocorre em casa, quando o consumidor usa a marca e a aprova ou não. Marcas que se superam, nesses dois momentos da verdade, podem conquistar um lugar especial nos corações e mentes dos consumidores e contribuir para o desenvolvimento de um sentimento de amor, o que pode se constituir como um vínculo que perdure por toda a vida (Tradução nossa).

[4] As Lovemarks deste novo século serão as marcas e empresas que alcancem laços genuinamente emocionais com as comunidades e redes sociais em que atuam. Isto significa se aproximar das pessoas para alcançar um relacionamento pessoal. E nenhuma abordagem irá alcançar esse ponto se não houver, em primeiro lugar, respeito ao que fazemos e ao que somos.
REFERÊNCIAS

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Acesso em: 28 mar. 2013.

AZEVEDO, António.; FARHANGMEHR, Minoo. O valor da marca made in Portugal. In: Rev. Portuguesa e Brasileira de Gestão [online]. 2012, vol.11, n.2-3, pp. 38-54. Disponível em: <http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/pdf/rpbg/v11n2-3/v11n2-3a04>. Acesso em 03 de agosto de 2013.

GONZÁLEZ, Estéfani de J. Martinéz. Relación de una marca con sus consumidores  según el concepto de lovemark: caso Ruffles. Disponível em: <http://biblioteca2.ucab.edu.ve/anexos/biblioteca/marc/texto/AAS2370>. Acesso em: 28 mar. 2013.

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006.

PAHINS, Silvia Letícia Lara; CARVALHO, Francisco Edinaldo Lira. Comunicação e gestão de relacionamento: o caso “Fiat Mio”. Disponível em: <http://www.convibra.
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PINHEIRO, Duda; GULLO, José. Comunicação integrada de marketing. São Paulo: Atlas, 2005.

ROBERTS, Kevin. El futuro más allá de las marcas Lovemarks. Barcelona: Saatchi & Saatchi, 2004.

SAMPAIO, Rafael. Propaganda de A a Z. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.

SOUZA, Carolina Conceição e; PIEDRAS, Eliza Reinhardt. Publicidade e Lovemarks: o amor alem da razão no Caso Havaianas. Disponível em: <http://
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Acesso em: 25 jun. 2013.

TALAVERA, Laura Oliver. Lovemarks: lealtad más allá de la razón. Disponível em: <http://www.recercat.net/bitstream/handle/2072/13802/TFC-OLIVER-2009.pdf?
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GENGUINI, Cinthia. et al. Lovemarks e as estratégias de fidelização da marca Sucos do Bem. In: Simpósios Nacionais de Tecnologia e Sociedade, Brasil, ago. 2011. Disponível em:



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